quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Silêncio Eloquente

Daqui a algumas horas o Presidente Eduardo Bandeira de Melo, bem como toda a nova diretoria do Flamengo finalmente passa a tomar conta do clube. Desde a eleição do dia 03/12, o clube passou pela transição, encerrada no último dia 27, com a posse oficial, e por um "limbo" até o dia de hoje.

Dívidas, jogadores e uma torcida para domar...
E não precisa ser um grande rubro-negro, imerso nas redes sociais ou nas mesas de botequim para sentir uma angústia, quase que tangível, por informações, planos e fatos ligados, em especial, ao futebol do Mais Querido. As notícias que chegaram a imprensa de forma oficial são muito pouco para alimentar o desejo de mudança consubstanciado nas urnas. Neste período do ano em que os jornais são vendidos com especulações e com fotos de peladas de ex-jogadores nunca o torcedor esteve tão alheio ao que acontece ou o que acontecerá com o Flamengo em 2013.

E uns se perguntam, onde está a transparência prometida pela nova gestão? Como pode chegarmos ao ano novo sem um reforço para um time que flertou mais uma vez com a zona da degola? É essa a gestão profissional do Fla? Calma, gente. Devagar com o andor. Como disse lá no primeiro parágrafo, hoje, e somente hoje, a nova diretoria senta em suas mesas com o poder e a caneta na mão. Mas tenha a certeza de que muito já deve ter sido feito, embora não levado a público.

Convém traçarmos uma linha que divide o sigilo, vital para a realização (bem sucedida) de negócios e programas, e o obscurantismo que marcou a gestão passada comandada pela Presidente Patrícia Amorim. O ciclo que se encerrou na Gávea em 2012 deixou muitas perguntas a serem respondidas no que se refere ao desacerto contábil e fiscal, contratos firmados e nunca levados às instâncias competentes, e outros itens que só chegarão ao conhecimento de quem de direito, após a auditoria prometida pela nova gestão abrir a caixa de Pandora (ou seria Caixa da Patrícia?).

Por outro lado, a restrição de informação no curso da negociação a um número limitado de pessoas preserva o sigilo, e no mais das vezes, a viabilidade da própria celebração do contrato (mesmo que não seja garantia para o mesmo). Enquanto antes as informações eram distribuídas à imprensa - formal ou informalmente - por Vice-Presidentes de outras pastas que não a diretamente interessada, ou por conselheiros, ou por seja-lá-quem-for, hoje se vê que a chave do cofre e a ponta da caneta estão nas mãos de poucos. E é da boca destes poucos cabe prestar a informação clara, exata e oficial.

E neste vácuo de informações, se vê uma deflagração de notinhas de jornal, ou mesmo nos programas de rádio, dando voz ao "amigo do jogador", a "uma pessoa próxima da diretoria", etc, sem entregar ao leitor ou ouvinte uma informação mais precisa. Ok, o uso de fontes e o segredo quanto a sua identidade é postulado básico do jornalismo, e além do mais é mesmo papel do jornalista perseguir o furo de reportagem. Mas cuidado, tem muita gente chutando por aí.

A bandeira (sem trocadilho) deste grupo é a implementação de uma nova gestão, com a formação e implementação de processos de decisão e execução de projetos. Começa com organogramas e planejamentos, mas é certo que apenas o enfrentamento dos problemas do dia-a-dia permite que se faça uma sintonia fina naquilo que até então estava apenas no campo teórico. É preciso ter a exata dimensão de onde está se pisando para se saber onde  se corre, onde se anda e onde não se mexe. E isso demanda tempo.

Falar menos, trabalhar mais, planejar sempre
Uma observação mais atenta mostra que as posições oficiais do clube foram todas, sem exceção, para dar conta de assuntos que não poderiam ser adiados. As dispensas de Botinelli (entre outros) no futebol e dos atletas de ponta da natação provavelmente se deu por um único motivo: o vencimento do contrato no último dia 31. Do mesmo jeito, tivemos a renovação do Renato Abreu.

Uma coisa está clara: esta administração só irá se manifestar quando tiver certeza quanto ao que está sendo anunciado. Não acho que veremos mais as bravatas do passado ou promessas de "lutas implacáveis" contra o que ou quem quer que seja. Vamos ver que revelações este dia 02 de janeiro nos reserva.

Imaginemos que o Flamengo é aquele cidadão assalariado, cheio de dívidas e com casa e mobília antigas e aparelhos domésticos defeituosos, mas que ganha um aumento na virada do ano. Este aumento em seu orçamento de nada adiantará se não for aplicado com sabedoria. Não é possível consertar tudo de uma vez, ou pagar todas as dívidas da mesma forma, sob pena de ver a crise pessoal deste indivíduo engolir este dinheiro. Mas com planejamento e paciência, talvez seja possível. Esse é o nosso caminho.
Pode até ser que nada seja dito hoje. Pode ser que o que seja dito não agrade a maioria. Mas o que importa é que um rumo está sendo traçado, e provavelmente bem diferente daquele antes adotado na Gávea. E mudanças de curso são assim mesmo: cautelosas e feitas dentro da reserva do possível.

Por mais perturbador que o silêncio possa nos parecer, no caso do Flamengo, lembro de uma frase de minha Bisavó: "Sem notícias, boas noticias". SRN

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