sexta-feira, 29 de março de 2013

Feliz Ano Novo Flamengo!

Obviamente não estou maluco. Janeiro já passou há tempo. Nem me refiro aos calendários que fogem a lógica gregoriana como aos adotados por Judeus, Chineses, etc. O ano começa de fato para nós com o desfecho do último ato do conturbado momento que o Flamengo vive a cada 3 anos: o ano eleitoral.

No espaço de um ano o clube, tal como uma cobra, ou um pássaro na muda, sofre modificação em todos seus órgãos sociais. A preparação para os pleitos em si começam bem antes da efetiva data da votação, influindo diretamente na dinâmica da tomada de decisão de cada um dos que tem poder. Começando pela épica eleição para presidente (tratado pelo estatuto como eleição para o Conselho Diretor), seguida da composição do novo Conselho Deliberativo (com ingresso dos conselheiros transitórios), passa-se a eleição do Conselho de Administração. Com a virada do ano, o Deliberativo ainda recebe novos membros natos. Ufa! Mas não acabou.

Terça passada tivemos o último ato dessa maratona democrática: a eleição do Conselho Fiscal (COFI). Duas chapas se apresentaram para a disputa. A Branca foi impugnada por não apresentar certidões em tempo, e por algumas "anotações" naquelas que foram apresentadas. Contudo, em sessão de quórum baixo, onde a só os impugnados tiveram voz, e a comissão jurídica limitou-se a apresentar um simulacro de parecer, a chapa teve fraqueada sua participação no pleito. Como profetas do passado, podemos dizer que foi bom, pois permitiu que se fizesse o controle político da eleição.  Eu não acho. A sensação que ficou foi que as informações sonegadas em sessão eram vitais e foram deliberadamente ignoradas.

O 1º desafio do  Futuro COFI é checar os problemas do Passado
Antes de mais nada, deixo claro que fiz campanha para a chapa azul, votei na chapa azul e lamentei que não tenha vencido por mais de 80%, renovando todo o COFI. O argumento político de que, na medida em que tem a função de fiscalizar, a outra chapa deveria ter vencido, é até válido, se desconsiderarmos que o grupo derrotado estava no comando da situação até então e fez alarde quando não deveria e se calou quando sua presença se fazia necessária. Embora não seja, nem de longe, culpa exclusiva da antiga formação do COFI, nada justifica que as contas de 2011 tenham sido votadas apenas em 2013, e mesmo assim com um relatório inconclusivo que acabou por ser rejeitado. O que se espera agora é que o COFI se limite a atuação nos limites do previsto no estatuto, com menos ingerências indevidas e sem alimentar a parte da imprensa se gosta de ver o circo pegar fogo, mesmo que sem motivo.

Ainda na linha do ano novo, outra grande notícia da semana foi a divulgação, mesmo que sem pompa, nem circunstância, da obtenção das primeiras certidões negativas com efeito de negativa, referentes aos débitos fiscais e trabalhistas. Ao conseguir as que faltam, esta gestão, mesmo que a custo do encerramento dos esportes olímpicos de alto rendimento, e outros cortes severos, terá atingido uma das suas metas de campanha. Essa conquista só mostra que sempre foi possível o reequilíbrio das contas do clube, desde que aparecesse alguém disposto a arcar com todos os custos políticos decorrentes de suas decisões. Pois bem, se o clube puder ter acesso aos incentivos fiscais e projetos de incentivo ao esporte será possível ter o retorno do Flamengo ao topo do esporte.

Jogue junto com o Flamengo
Na mesma terça-feira santa tivemos a divulgação do programa de sócio torcedor votado pelo CODE e relatado neste blog em posts anteriores. Confesso que não tenho acompanhado o twitter com a frequência de antes, mas já deu pra sacar que parte considerável da torcida achou que o Nação Rubro-Negra ficou aquém do necessário. Sim, ficou. Não sou do mundo do marketing e qualquer opinião minha não é mais que mero pitaco. Entendo a decepção geral se considerado a expectativa gerada pela torcida, em especial por tantas pessoas que se dedicam ao assunto, mesmo que empiricamente, estudando modelos adotados por outras equipes mundo afora.

Convém lembrar que cada clube tem sua especificidade, e colocar um projeto que se presta a alcançar potenciais 40 milhões de torcedores, não é uma tarefa nada simples. Li e ouvi muito sobre os planos de sócios de Benfica e Barcelona. Apenas como efeito de comparação, não custa lembrar que as populações de Portugal é de apenas 11 milhões de pessoas, e sim, perdemos para TODA a população da Espanha (46 milhões de pessoas), sendo que a maioria destes torce pro Real Madrid. E a entrevista coletiva foi clara, esse é o momento em que o Flamengo está pedindo ajuda ao seu torcedor, invertendo a lógica do "o que o meu time pode fazer por mim" para "o que eu posso fazer pelo meu time"? O que está esperando para se associar?

Mesmo assim, uma consulta ao site já mostra que em menos de 3 dias chegou-se a expressiva marca de 7.000 torcedores, ultrapassando rivais locais. Ainda está bem longe de outros números obtidos em solo nacional, como os 105.000 associados do Internacional, mas há de se pensar que o número de benefícios ainda é pequeno, e que os valores praticados pelo clube gaúcho é bem menor e mais voltado ao público do sul do Brasil, enquanto o Flamengo possui escala nacional, não seria intergalática? Acho que nosso papel é, mais uma vez, apoiar da forma que pudermos, acreditarmos nos resultados prometidos.

Pouco mudou no basquete e no futebol. Um continua se equilibrando na liderança da NBB, torcendo para a chegada aos playoffs antes que o time "vire o fio", o outro vai mostrando que muito tem a ser mexido no time da Gávea. E talvez não fosse o técnico. E notória a inépcia técnica de meia dúzia de 10 jogadores. Alguns não mereciam vestir o Manto Sagrado para ir no shopping ou mesmo para ir na esquina comprar pão, e continuam como titulares. Paciência. Rogo para que em um futuro não muito distante não precisemos estar aturando estes pernas de pau no nosso quadro.

Pois é, parece que os bons ventos começam a soprar a favor na Gávea. Vamos ver se conseguimos ter competência para saber navegar e aproveitar o máximo este momento. Nos tornarmos fortes vai se tornando cada vez mais essencial. Com Engenhão fechado por tempo indeterminado, e com um estranho edital do Maracanã em andamento, os clubes cariocas vão sendo jogados no colo do futuro concessionário. Não creio em teorias da conspiração, mas penso que se não estivermos seguros, não haverá como impedir que se aproveitem do clube e de sua torcida.

Finalizando, embora seja fora do objeto deste blog, queria divulgar mais uma campanha que tomará lugar no Parque dos Patins, na Lagoa em 23/04: o Trem Vermelho Carioca. Trata-se de uma lindíssima iniciativa dos motociclistas do Rio de Janeiro, buscando fazer um grande comboio para promover uma doação de sangue coletiva em pleno feriado (quando se mais precisa de estoques de sangue). Para aqueles que não forem viajar e não tiverem medo de serem solidários, fica a dica.

quinta-feira, 7 de março de 2013

O Peso das Palavras Sem Peso

Depois de um sábado mágico, com a celebração antecipada do "Natal Rubro-Negro", e a justa devolução do Galinho Zico ao Panteão dos heróis imortalizados nos corredores da Gávea, veio a ressaca da Ceia, com a derrota para os hipossuficientes de títulos de General Severiano. E como se não fosse suficiente o mal estar, cai como uma bomba o desmanche da equipe de ponta de mais dois esportes olímpicos: Judô e a Ginástica Artística.

Judô Feminino Hoje é Campeão Olímpico
Quanto ao jogo de domingo, pouco há a dizer. Repousar as causas do infortúnio nas mãos do larápio que trajava amarelo é uma atitude natural dos realizadores do mosaico azul mais perfeito do mundo. O fato é que o time jogou muito abaixo do que vinha apresentando no campeonato (obviamente me referindo às partidas contra os pseudo-grandes do estado). A postura lenta, desligada foi a tônica do primeiro tempo, como o gol relâmpago do Botafogo com menos de uma minuto simplesmente não houvesse existido. A etapa complementar reservou mais emoções, algumas boas chances de gol para ambos os lados, mágicas defesas dos goleiros e o tiro de misericórdia quando já não havia mais chances, se aproveitando do fato de que Felipe tinha subido à área para tentar salvar a Pátria. O fato é: merecemos ficar de fora mais uma vez.

Mas não existe azia que não piore com uma promoção de salgado e refresco. E é esta sensação de perda e de vazio que toma conta de mim com a notícia sobre a implosão de mais uma parte dos esportes olímpicos. Não é difícil para cada um dos leitores deste meu blog verificar nos poucos post publicados ver que aplaudi o fim da equipe competitiva da natação, assim como diversas outras medidas de austeridade que se fazem não apenas oportunas, mas indispensáveis para que o Flamengo possa trilhar o caminho de independência esportiva e financeira prometida pela atual gestão, para qual fiz campanha e ainda faço questão de apoiar.

A eleição do ano passado mostrou justamente que não se quer no comando rubro-negro pessoas com pensamento pequeno e restrito aos muros da Gávea. Mas do mesmo modo que o parquinho não é o fim em si, também não é nenhuma das outras modalidades, nem mesmo o futebol, não obstante sua posição de carro-chefe e trem pagador no atual quadro.

Quando se fala em responsabilidade e compromisso, hoje palavras de ordem no clube, fala-se em cumprir o que se promete, conquistando a confiança da pessoa com que se negocia. Não é menos verdade que a atividade de planejar em qualquer setor demanda não apenas trabalho, mas a sensibilidade de mudar o curso quando algo não dá certo ou não corresponde as expectativas, e é com base nisso, no "tentamos manter, mas não deu" que colocamos campeões mundiais no olho da rua. 

Diego mostra costume com o
velho modo se se gerir o clube 
Nem vou comentar as alegações de retaliação à Patrícia Amorim, não é o perfil desta gestão agir desta forma. Tenho a absoluta certeza que a decisão que ora combato foi tomada após reflexão técnica e atuarial e o apoio dos profissionais e atletas deste esportes à ex-presidente era mais que natural dado que a origem desta foi nos esportes amadores e que, mesmo as custas do combalido cofre do clube, tinham porto seguro em sua preparação a cada ciclo olímpico.

Contudo, acho oportuna a citação de entrevista do VP Alexandre Póvoa dada no momento em que optou-se por não renovar com o Medalha de Ouro, César Cielo e dos demais nadadores de alto rendimento:

- Hoje, infelizmente, nenhum esporte é autossustentável. Então, vamos dar um prazo de um ano para que eles tentem se tornar autossustentáveis. Mas o terceiro pré-requisito, a natação não atende hoje. E também é fato que o Flamengo não tem uma piscina para uma competição de alto nível, porque não houve reforma nos últimos anos. Por conta dessa piscina deteriorada e pela situação difícil do Flamengo, se fez a opção de trazer atletas que honraram as cores do Flamengo, mas não treinavam aqui. A nossa prioridade hoje é reconstruir o parque aquático e resolvemos priorizar o investimento na base, para quem sabe em 2014 trazer esses atletas de volta com o clube mais estruturado - afirmou o dirigente.
E o tempo mostrou que a escolha foi acertada, na medida em que a piscina olímpica (em que os astros não treinavam) foi interditada por sérios problemas estruturais, contando com vazamentos que elevavam a despesa de água a mais de R$ 500.000,00! Os salários astronômicos dos piscineiros vindos de fora, e no auge da fama, não compensavam o pouquíssimo retorno, seja em exposição da marca, seja como influência e incentivo para os mais jovens que os tinham por perto (razão também citada à época), além de compromisso com a excelência, entrando sempre para ganhar no que competir.

Dani: Decacampeã Brasileira
O judô, e principalmente a Ginástica Artística, pelo menos neste aspecto eram diferentes. Mesmo com vários atletas de ponta formados e crescidos dentro do clube, absolutamente identificados com sócios e torcedores, estas modalidades viram seu "um ano de prazo" serem reduzidos para pouco mais de dois meses. Eu me pergunto qual é o recado que está sendo dado a cada um das crianças da base -  e que no caso da ginástica já reclamavam de abandono - neste momento. Como estimular seu filho a treinar, competir e vencer pelo clube que pode os dispensar quando deixar de ser um bom negócio?

Digna de aplauso, em parte, é a colocação sobre a falta de apoio do COB e das Confederações aos clubes, vertendo seus recursos apenas para a manutenção das suas próprias estruturas. O papel dos clubes formadores é totalmente negligenciado por quem deveria fomentar o esporte. Enquanto as agremiações suportam os custos do dia-a-dia, ficam de fora do momento de glória dos mesmos atletas que ao subir ao pódio não podem ostentar outras cores que não a da seleção e da confederação. O esporte brasileiro tem que ser todo repensado, sem dúvida, e a direção pensa estar dando sua cota-parte ao repensar o Flamengo.

Mas além de estar quebrando o trato de dar tempo ao tempo, anunciado na imprensa, o Flamengo se equipara às mesmas Confederações e ao próprio COB que assistem caladas - isso quando não são agentes diretamente responsáveis -  pelos sucessivos ataques ao esporte amador brasileiro que está no mais importante dos ciclos olímpicos: aquele que será coroado com a realização dos jogos da Rio 2016. No momento em quando deveríamos estar dando suporte à preparação dos atletas de todas as modalidades, testemunhamos a implosão do Célio de Barros e do Julio Delamare, o desmonte do Velódromo, deixando desamparados ao  mesmo tempo duas modalidades (ginástica e ciclismo) e sua montagem em Goiás onde não há ciclismo de pista

Érika Miranda
Não duvido da capacidade do plano traçado render saborosos frutos no futuro com a revelação de novos talentos em um clube organizado e com as contas saneadas que saiba atrair investimentos para suas diversas categorias. Aliás, nem mesmo defendo a manutenção destas equipes a qualquer custo, na esteira da responsabilidade de marca as gestões rubro-negras desde sempre. Questiono é o descumprimento com o que tinha sido antes colocado, além do momento mais que inoportuno para esta decisão. As mesmas palmas que bati para a manutenção do basquete, impedindo a descontinuidade de patrocínio para o time que encanta a Nação, eu gostaria de bater para o uso inteligente da imagem destes campeões que recebem um "até mais ver" depois de tantos anos de devoção ao meu, ao seu e ao nosso Flamengo.

Agora é acompanhar para onde vão nossos campeões. E torcer para que eles consigam galgar os passos necessários para chegarem (ou retornarem) ao mesmo sucesso que queremos e se planeja para o nosso clube.

domingo, 3 de março de 2013

Rapidinho, Um Pouco de Tudo

Na última vez que escrevi, lá no início do ano, a ordem do dia era acalmar a ânsia de notícias vindas da Gávea. Uma nova direção assumiu com discursos absolutamente pé no chão, apesar da insistência da torcida em olhar para os executivos eleitos como uma horda de messias, capazes de milagres nunca antes vistos no mundo do futebol.

Se em termos de marketing e divulgação deste blog o espaço entre as postagens não ajuda em nada, ao menos me poupou de falar de muita bobagem que andou sendo sendo difundida por aí. Dar o tempo ao tempo foi importante para vermos que muitos boatos que rolaram desde o processo eleitoral foram desmascarados, muito embora outros tão ruins quanto venham tomando seu lugar. 

Assim, em uma tentativa safada de falar do máximo de assuntos ocorridos nestes dias, perdendo o mínimo de tempo possível, vamos a umas curtinhas com o que acho que vale ser comentado:

TIME DE FUTEBOL

Hernane e Ibson: Renascidos das Cinzas
A campanha está acima de qualquer expectativa. Jogamos logo mais a semifinal contra o Botinha com a vantagem do empate (perigo, perigo). Chegando à final, teremos o Vasco, mantida a vantagem (perigo, perigo)². As contratações feitas vão se mostrando acertadas. Destaque para Elias e para a recuperação do artilheiro Hernande e do Ibson e para como o espaço do clube na imprensa se limita ao campo esportivo, sem contar com a disposição tática e física com que o time vem se apresentando.

TIME DE BASQUETE

Sim, demorei tanto a escrever que nem pude celebrar a invencibilidade recorde na NBB. Mas ainda assim vamos bem. Estamos disparados na liderança do Nacional (com vários atletas no jogo das estrelas) e classificados para fase seguinte da Liga Sul-Americana. O time vem superando a ausência do Marcelinho e mostrando maturidade para o momento decisivo. Não custa lembrar que a NBB esse ano será decidida em jogo único, sendo mais que oportuno tirar a rapaziada da zona de conforto.

ESPORTES OLÍMPICOS

A melhor boa notícia diz respeito ao eventual erguimento da Arena McDonalds na Gávea. E só. Não conhecendo o que vem sendo planejado, só podemos ver o que acontece. Depois da acertada decisão de desfazer a equipe de ponta da natação, vemos a equipe da Ginástica Artística sem casa, desde o incêndio do ginásio da modalidade, além de alguns resultados favoráveis no Judô.

DIREÇÃO DO FLAMENGO

 Milagres e magias ficara por conta do imaginário da torcida. A promessa era planejamento e trabalho. E é exatamente o que vemos hoje no clube. Estamos caminhando para uma total adimplência dos salários, incluindo direitos de imagem, além de uma responsabilidade fiscal nunca vista antes. Aquisições, dispensas e renovações feitas nas salas de reunião, ao invés das páginas de diários esportivos.

Imagina Com o Novo Manto...
No Campo dos negócios, o clube fechou contratos de patrocínio com a LOTERJ, para o basquete, e com a PEUGEOT, para o futebol. A montadora fica na parte da frente da camisa até 1º de maio, quando passará a ocupar as costas da camisa da nova fornecedora de material esportivo: ADIDAS. Se teremos o comentado sistema de rodízio de patrocínios, ou se teremos um master nos moldes antigos, isso só o tempo dirá. Ainda, na última terça, o Conselho Deliberativo aprovou a repactuação do contrato com a Golden Goal, para efetivação das práticas de relacionamento com o torcedor. A nova minuta possui termos diametralmente opostos ao contrato de 2008, vigente até hoje, passando a ser melhor para Flamengo.

Muito importante: É vital a participação de todos no DIA NACIONAL DO CADASTRO RUBRO-NEGRO. Vá lá e faça seu cadastro. É simples e rápido. Com ele teremos como obter mais parcerias e bons negócios. Cada torcedor sabe quem é o Presidente do clube, seus diretores e seus jogadores. Chegou a hora de o clube conhecer quem é sua torcida.

Por outro lado, é ingênuo pensar que todas essas mudanças sejam conduzidas em águas absolutamente calmas. Em uma prática bem ao estilo da old school vazou na imprensa e-mail interno em que o então Vice-Presidente José Carlos Dias atacava um dos empregados do clube, e na ponta do processo de modernização do Fla-Gávea, que era tido  como o carro-chefe da administração anterior. Pois bem, saiu quem não estava de acordo com o modo de trabalhar prometido na eleição e adotado pela presidência. Introduzir o novo gera atritos e encontra resistências, ainda mais em um ambiente historicamente permissivo a ponto de manter uma piscina com vazamento que, além de por em risco a saúde dos associados, representava um custo absurdo de cerca de meio milhão de reais (!!!) de fornecimento de água.


POLÍTICA NO FLAMENGO

Passada a eleição presidencial e do Conselho Deliberativo (CODE), as atenções se voltam agora para o Conselho  Fiscal (COFI), hoje presidido pela controversa figura de seu Presidente Leonardo Ribeiro, vulgo Capitão Léo, que será renovado no fim deste mês de março. Aliás, essa mudança vem em ótima hora, diante da necessidade de um conselho que agregue a necessidade de fiscalizar, a capacidade para o desempenho da função e a disposição de não transformar um órgão que deveria ser eminentemente técnico em uma arena política. Duas chapas estão inscritas para o pleito, sendo a @ChapaFlaSempre a minha escolhida pelos mesmos motivos que pautaram meu voto ano passado: capacidade técnica reconhecida pelos seus currículos.

E já que o assunto são contas, não custa comentar sobre a reprovação das contas de 2011 pelo Conselho Deliberativo. Antes que você pare para me criticar, eu ressalto, as contas são de 2011 mesmo. É bem verdade que o caos administrativo da gestão antecessora contribuiu decisivamente para a demora na conclusão dos trabalhos, com ofícios não respondidos e toneladas de documentos desordenados entregues após sucessivos pedidos.


O relatório do COFI seguiu o padrão de sempre, empurrando o problema adiante. Só que desta vez, o CODE pensou diferente, acatando o relatório de sua Comissão de Finanças, reprovando o relatório, determinando formação de equipe de auditoria  e outra de inquérito para trabalhar em conjunto sobre as contas apresentadas, corrigindo falhas e apurando responsabilidades.


NOVO UNIFORME

Falando em novo uniforme: guardem suas merrecas. Os croquis dos três uniformes a serem usados este ano foram mostrados ao Conselho Deliberativo. Sem entrar em detalhes que já não tenham sido espalhados por aí, digo-lhes a minha opinião: O uniforme número 1, tem linhas diferentes mas nada que cause impacto. Pode até ser que depois de apresentada a peça física, eu mude minha opinião, mas só será lembrada pelo momento histórico e mais nada. O uniforme reserva já nos traz novidades, lembra um pouco o estilo Chelsea de camisas, já diferente dos que estamos acostumados a usar. Mas a joia da coroa é a camisa 3, que ao menos no telão do Salão Nobre da Gávea, me pareceu ser um dos Mantos Sagrados mais lindos que já vi.


ZICO É O CARA

Zico, Eterno Rei

Não poderia terminar o texto sem falar em um dos poucos caras que merecem serem chamados de ídolos pela torcida. Em um mundo midiático de hoje que bastam dois jogos para um atleta se achar a última jujuba vermelha do pacote, ZICO, com zilhões de gols e títulos nas costas mostra absurda humildade, atendendo a fãs - crianças, jovens ou adultos - sem contar a horda de repórteres. Alguém que tendo o sonho de vestir a camisa 10 do Flamengo realizado logo cedo, ousou ir mais longe, rumo à perfeição. Se não bastavam as conquistas domésticas que satisfazem nossos co-irmãos, ele nos deu o Mundo junto com a inesquecível geração de 81. E o dia em que se deu conta que a Gávea e o Maracanã eram pequenos para ele ou mesmo os então 30 milhões de torcedores insuficientes, lá foi ele mudar a cultura de um país completamente diferente, criando um novo mercado, instigando novas paixões. Como os Beatles, ele transcende gerações e influencia quem só acompanhou sua carreira pelo You Tube.

O evento de ontem na Gávea foi lindo. Um conjunção perfeita entre mito e torcida. Um movimento que, mais uma vez, veio de fora para dentro. Parabéns a todos que conceberam e tocaram a frente este lindo projeto. Se graças a Zico somos o que somos, graças a vocês ele pode voltar de onde nunca deveria ter sido expelido como injustamente foi por aqueles que deveriam preservar o que o clube tem de mais sagrado.

Parabéns à Nação Rubro-Negra por ter reparado o malfeito antes que fosse tarde demais. O Flamengo já era grande antes do Galo chegar, Já tinha seus dois tricampeonatos nas costas. Já tinha torcida e história pra contar. Se ninguém é maior que o Flamengo, sem dúvida ele fez o Flamengo se tornar maior.

Não só isso: Obrigado, Zico por ter tornado o Flamengo mais Flamengo.