sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

A Não-Notícia é a Melhor Notícia


Janeiro, início de temporada, clube recém-saído de um processo eleitoral: crise de abstinência na Massa Rubro-Negra. Temporada propícia para toda sorte de especulação. Tem gente que nem lê jornal nessa época. Mas esse ano era diferente, com a expectativa inversamente proporcional ao saldo da conta bancária do Mais Querido. Pois é. Mas não é isso que os ventos que vem da Gávea sopram.

É hora de arrumar a Casa!
Uma semana útil de trabalho não é tempo suficiente para avaliar  processo algum de reorganização de um clube ou empresa, ainda mais considerando uma estrutura tão complexa e infestada de vaidades como é a do Flamengo. Mas admira-se a postura daqueles que estão à frente do processo. E ainda, como estão sensíveis aos efeitos de suas ações, promovendo mudanças de curso durante a caminhada, sem esperar a colisão com o iceberg à frente.

Ao contrário que pensa que pensa e corneta parte dos desesperados das redes sociais, a atual direção está entregando exatamente o produto prometido. Para esperar nomes revolucionários, contratados a peso de ouro, sem planejamento algum sobre como pagar (pensar nisso pra que?) era melhor ter apoiado alguma das candidaturas forjadas no velho modelo. Ao contrário, a pleito consagrou o grupo que prometeu gestão e responsabilidade.

Quem já teve pessoas sob sua liderança, sabe que reformulações de políticas e modos de agir são lindas no campo teórico, e parecem ainda mais fantásticas quando se apresentam resultados obtidos em experiências análogas. Mas sabe também que para chegar até lá são necessárias medidas fortes e nem um pouco populares. Não podemos achar que obteremos resultados diferentes com as práticas de sempre.

Todos miram o Barcelona de hoje com Xavi, Iniesta, Messi e cia, por exemplo. Muitos ouviram falar dos relatos do livro "A Bola Não Entra Por Acaso". Mas ninguém quer falar do período de vacas magras, onde esse time de hoje começou. Muitos desvalorizam os últimos títulos de Michael Schumacher, por ter um carro muito acima dos outros, mas não se dão conta de que ele foi contratado pela Ferrari em 1996 justamente para desenvolver a lata velha que a equipe tinha e transformá-la no carro dos sonhos. No pain, no gain, fellows!

E nesse processo, se no início víamos o Wallim falando um pouco mais do que a prudência permitia, e com promessas no old school style, hoje já temos o Pelaipe a frente do processo, falando o estritamente necessário. O segredo de qualquer sigilo é a limitação de pessoas com acesso àquela informação. E pensando na quantidade de pessoas envolvidas em uma negociação de transferência, é admiravelmente notável que os nomes e valores tenham se mantido ocultos por tanto tempo.

Em tempo: também admirável o peito de nadar contra corrente, desafiando os mercadores da bola e se recusando - abertamente -  a entrar em leilões. Quem já foi à feira-livre sabe bem que entre as primeiras horas da manhã e a xepa de fim de tarde dá pra comprar coisa boa, sem ter que colocar as cuecas no prego. 

Será que o dono vem pegar o paletó?
Falando em nadar, não posso deixar de citar a não renovação dos contratos dos popstars da natação que quase nunca vestiram suas boias de braço nas piscinas da Gávea Sagrada. Essa é a política: tem que dar retorno e valer a pena, como o basquete que vem fazendo campanha impecável na NBB quebrando recordes e ainda anunciando reforços. 

Está claro que para  a Diretoria, não basta "arrumar a casa", mas colocá-la para funcionar. O anúncio dos  reforços feito hoje, no final da semana e com a pré-temporada praticamente na sua metade, veio coroando uma série de notícias que mostram que a ordem do dia é trabalhar e dar meios para que seus funcionários trabalhem pelo time. Aliás, o desequilíbrio entre o pagar e receber, foi a principal razão para que os rapazes bronzeados das piscinas ficaram sem ter seus contratos renovados.

Muito longe dos boatos espalhados no período eleitoral, não se precisou chegar ao final da auditoria externa para ver que as mazelas do Flamengo não se restringem à caótica organização contábil do clube, detectando-se - aparentemente - um número de funcionários muito maior ao necessário, ou mesmo ao efetivamente visto trabalhando. Quem frequenta a Gávea saber que, em tempo algum, se vê cerca de 700 sujeitos trabalhando. E tenham certeza que, se 150, 250 saírem, os que ficarem, o serão por mérito.

Amanhã é dia da Mulambada pagar as contas.
Quantas vezes você não olhou pro lado e viu um colega de trabalho ganhando mais ou mesmo que você, trabalhando menos? Certamente seus pensamentos não foram dos mais amigáveis. Imagina ainda, hipoteticamente, saber que outras pessoas ganham o mesmo que você sem sequer trabalhar? Trata-se da mesma coisa. Dando os meios, qualificando e valorizando quem ficar, teremos a mesma quantidade de pessoas efetivamente trabalhando, mas com mais eficiência e satisfação.

O pagamento dos salários é outro ponto. Tal como o serviço do dia-a-dia de nossas casas, o salário em dia só vira notícia quando algo está errado (ou quando você quer parecer que tudo esteja certo). O ridículo pacto feito por gestões anteriores empurrando o vencimento do salário para o dia 25 do mês seguinte (e mesmo assim raramente honrado), faz com que o dinheiro caindo em caixa fosse notícia nova a cada 30, 40, 50, 60... dias.  E essa exposição constante na mídia queima o filme do clube e expõe o atleta, que acaba ficando com a injusta pecha de mercenário. Para um clube que começou a semana engessado por penhoras e mais penhoras o anúncio da quitação de várias parcelas salariais tanto no futebol como no basquete, mostra que o clube está a fim de fazer a sua parte e cobrar na mesma medida.

Sonho com o dia que o pagamento de salários volte a ser uma não-notícia na Gávea, e nossa preocupação seja apenas olhar a metade superior das tabelas dos campeonatos.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Silêncio Eloquente

Daqui a algumas horas o Presidente Eduardo Bandeira de Melo, bem como toda a nova diretoria do Flamengo finalmente passa a tomar conta do clube. Desde a eleição do dia 03/12, o clube passou pela transição, encerrada no último dia 27, com a posse oficial, e por um "limbo" até o dia de hoje.

Dívidas, jogadores e uma torcida para domar...
E não precisa ser um grande rubro-negro, imerso nas redes sociais ou nas mesas de botequim para sentir uma angústia, quase que tangível, por informações, planos e fatos ligados, em especial, ao futebol do Mais Querido. As notícias que chegaram a imprensa de forma oficial são muito pouco para alimentar o desejo de mudança consubstanciado nas urnas. Neste período do ano em que os jornais são vendidos com especulações e com fotos de peladas de ex-jogadores nunca o torcedor esteve tão alheio ao que acontece ou o que acontecerá com o Flamengo em 2013.

E uns se perguntam, onde está a transparência prometida pela nova gestão? Como pode chegarmos ao ano novo sem um reforço para um time que flertou mais uma vez com a zona da degola? É essa a gestão profissional do Fla? Calma, gente. Devagar com o andor. Como disse lá no primeiro parágrafo, hoje, e somente hoje, a nova diretoria senta em suas mesas com o poder e a caneta na mão. Mas tenha a certeza de que muito já deve ter sido feito, embora não levado a público.

Convém traçarmos uma linha que divide o sigilo, vital para a realização (bem sucedida) de negócios e programas, e o obscurantismo que marcou a gestão passada comandada pela Presidente Patrícia Amorim. O ciclo que se encerrou na Gávea em 2012 deixou muitas perguntas a serem respondidas no que se refere ao desacerto contábil e fiscal, contratos firmados e nunca levados às instâncias competentes, e outros itens que só chegarão ao conhecimento de quem de direito, após a auditoria prometida pela nova gestão abrir a caixa de Pandora (ou seria Caixa da Patrícia?).

Por outro lado, a restrição de informação no curso da negociação a um número limitado de pessoas preserva o sigilo, e no mais das vezes, a viabilidade da própria celebração do contrato (mesmo que não seja garantia para o mesmo). Enquanto antes as informações eram distribuídas à imprensa - formal ou informalmente - por Vice-Presidentes de outras pastas que não a diretamente interessada, ou por conselheiros, ou por seja-lá-quem-for, hoje se vê que a chave do cofre e a ponta da caneta estão nas mãos de poucos. E é da boca destes poucos cabe prestar a informação clara, exata e oficial.

E neste vácuo de informações, se vê uma deflagração de notinhas de jornal, ou mesmo nos programas de rádio, dando voz ao "amigo do jogador", a "uma pessoa próxima da diretoria", etc, sem entregar ao leitor ou ouvinte uma informação mais precisa. Ok, o uso de fontes e o segredo quanto a sua identidade é postulado básico do jornalismo, e além do mais é mesmo papel do jornalista perseguir o furo de reportagem. Mas cuidado, tem muita gente chutando por aí.

A bandeira (sem trocadilho) deste grupo é a implementação de uma nova gestão, com a formação e implementação de processos de decisão e execução de projetos. Começa com organogramas e planejamentos, mas é certo que apenas o enfrentamento dos problemas do dia-a-dia permite que se faça uma sintonia fina naquilo que até então estava apenas no campo teórico. É preciso ter a exata dimensão de onde está se pisando para se saber onde  se corre, onde se anda e onde não se mexe. E isso demanda tempo.

Falar menos, trabalhar mais, planejar sempre
Uma observação mais atenta mostra que as posições oficiais do clube foram todas, sem exceção, para dar conta de assuntos que não poderiam ser adiados. As dispensas de Botinelli (entre outros) no futebol e dos atletas de ponta da natação provavelmente se deu por um único motivo: o vencimento do contrato no último dia 31. Do mesmo jeito, tivemos a renovação do Renato Abreu.

Uma coisa está clara: esta administração só irá se manifestar quando tiver certeza quanto ao que está sendo anunciado. Não acho que veremos mais as bravatas do passado ou promessas de "lutas implacáveis" contra o que ou quem quer que seja. Vamos ver que revelações este dia 02 de janeiro nos reserva.

Imaginemos que o Flamengo é aquele cidadão assalariado, cheio de dívidas e com casa e mobília antigas e aparelhos domésticos defeituosos, mas que ganha um aumento na virada do ano. Este aumento em seu orçamento de nada adiantará se não for aplicado com sabedoria. Não é possível consertar tudo de uma vez, ou pagar todas as dívidas da mesma forma, sob pena de ver a crise pessoal deste indivíduo engolir este dinheiro. Mas com planejamento e paciência, talvez seja possível. Esse é o nosso caminho.
Pode até ser que nada seja dito hoje. Pode ser que o que seja dito não agrade a maioria. Mas o que importa é que um rumo está sendo traçado, e provavelmente bem diferente daquele antes adotado na Gávea. E mudanças de curso são assim mesmo: cautelosas e feitas dentro da reserva do possível.

Por mais perturbador que o silêncio possa nos parecer, no caso do Flamengo, lembro de uma frase de minha Bisavó: "Sem notícias, boas noticias". SRN

Apresentação

Chega 2013, e chego com novidade. Finalmente resolvi escrever um blog sobre a minha maior paixão: o Clube de Regatas do Flamengo. E a força de vontade e inspiração vieram da trajetória feita no ano passado.

Após fazer muitos amigos no meio virtual, seja pelo twitter, seja pelo facebook, e impulsionado pela minha esposa, começamos a escrever um blog sobre a minha cidade e que chamá-lo de "Pra Falar do Rio", dedicado a compartilharmos as nossas impressões sobre o Rio de Janeiro, baseados em nossas experiências.

Mas o ano de 2013 não foi intenso apenas pela construção do meu humilde blog. Aqueles que me conhecem sabem bem da paixão rubro-negra que me move e torna minha vida com mais sentido. Sabemos que o Flamengo recentemente passou por importante processo político que culminou com a eleição da chapa azul, liderada por Eduardo Bandeira de Melo como Presidente. E aí tudo começa.

Deste fato surgiu a vontade de se criar um outro espaço, com linha de pensamento parecida com o blog original, mas dedicado ao Mais Querido. Esta eleição no Flamengo me foi muito especial, na medida em que realizei um sonho de infância: votar para Presidente do meu time de coração.

E motivado por toda a campanha a qual adorei participar (e lamento não ter podido ter feito mais), pela expectativa justamente criada pelo grupo vencedor, que resolvi dividir meus pensamentos, desabafos e angústias. Antes de mais nada, é oportuno dizer que apesar de ter apoiado a Chapa Azul, este blog se compromete com a isenção e com a procura do que entende o melhor pelo clube.

Espero estar a altura deste desafio, dando uma singela contribuição ao debate já tão bem conduzido por cada um dos blogs elencados aqui neste espaço à direita, os quais recomendo a leitura.

Desde já agradeço a audiência neste blog (é assim que se fala?) e estou aberto a todo tipo de sugestão ou reclamação. Espero encontrá-los sempre por aqui. SRN!!