sexta-feira, 11 de setembro de 2015
sexta-feira, 16 de agosto de 2013
"Bar Maracanã" x "Chez Mário Filho"
Augusto é um homem comum. Gente do povo. Nascido em bairro nobre da cidade, mas viveu sempre no meio da galera. Desde cedo se tornou popular. Era um referência onde morava. Todos sabiam quem ele era. Pessoa de hábitos simples, teve uma vida de altos e baixos. Várias vezes foi enrolado por pessoas que só queriam se dar bem em cima dele. Várias.
Crescido, passou a ter que buscar meio de ganhar seu sustento. Foi trabalhar no bar de seu pai. O point do bairro. Vivia lotado de pessoas de todas as procedências. Ricos e mendigos. Executivos e pedreiros. Os opostos se encontravam, principalmente nas tardes de domingo, dividindo copo, balcão, banheiro, emoções e experiências.Todos era iguais e tinham amplo acesso.
Nosso personagem trabalhava muito. Apesar do bar arrecadar bem, Augusto não não era assim tão bem remunerado. Ganhava o que dava. Gastava mais do que podia. Mais preocupado com os amigos e seus sorrisos, não se cuidou, não criou patrimônio, não garantiu seu futuro e se colocou a mercê das surpresas que o futur
O bar passou por várias reformas. Algumas só de fachada. Outras mais mais estruturantes. Em uma delas recebeu a notícia que ninguém gosta de ouvir: o falecimento do seu pai. Dor. Tristeza. E uma vida a ser repensada. Resolveu honrar o legado do seu pai: iria tocar o bar, agora novo em folha, com lindos telões, assentos confortáveis, banheiros limpos e um visual incrível. Imagina toda a galera entrando no dia da inauguração!
Vai chegando o novo dia e as notícias não são boas. Aberto o inventário, descobre-se que o bar não será seu, como pensava. Será de seu irmão, Adalberto, que acabava de conhecer, fruto de uma relação clandestina de seu pai. Esse novo parente, muito querido por seu pai e muito bem sucedido no ramo da construção civil era agora o novo dono e administrador do bar e que decidiu que a esquina de todos sofreria um upgrade. Para não deixar o irmão desamparado, fez um combinado, Augusto gerenciaria o bar e todo o lucro com bebida seria dele. O resto, propagandas, festas, shows, reservas de boas mesas e vagas de estacionamento ficaria com Adalberto.
Sem dinheiro e com dívidas pesadas a pagar, sem outras opções, e não querendo ficar longe dos amigos de sempre, ele aceita. Ainda assim, acha que será um bom negócio, afinal, o bar não ficava sempre cheio antes? Portas abertas, povo entrando, povo consumindo. Na hora de fechar a féria do dia, não crê nos números: como pôde ganhar tão pouco?
Fez as contas e viu que a cada quatro garrafas, uma quebrava, ou estourava, ou simplesmente saia de graça para o consumidor. Fora o desconto do estudante. Meia-entrada para beber? O que isso tinha a ver com formação acadêmica? Mas na verdade era o acesso à comida, tudo que tinha no bar era pago pela metade. Seu irmão tinha ficado com a parte boa, pensou. Partes que não sofriam com esses cortes "fora de propósito". Não tinha outra alternativa: Ou era largar o barco ou aumentar o preço da cerva.
Escolheu a segunda opção. O povo até vinha. Menos que antes. Estranhavam o novo bar, menos pé-sujo, mais restaurante. Mas vinha, e tornava possível pagar as contas. Mas muitos dos amigos passaram a reclamar. Disseram que ele mudou. Que não queria saber de povo. Do mesmo povo que tinha feito daquele bar a fonte do sustento, alegria e orgulho dele e do seu velho pai. O que fazer?
O que fazer?
Essa é a pergunta do milhão para Augusto. Não só para ele, mas para o Flamengo e sua torcida, e os clubes médios do Rio de Janeiro, para o povo da cidade, para os jornalistas, urbanistas, sociólogos e demais atores e espectadores desta novela sem fim que se tornou a discussão do novo futebol que está sendo enfiado goela abaixo nos clubes e na torcida.
Não é difícil relacionar os personagens da história acima com os atores da realidade. Reduzir a discussão ao preço do ingresso somente mostra nossa falta de percepção de tudo que há em volta. Trata-se de fechar os olhos para um modelo criado pelo Estado e imposto àqueles a quem se imputa o dever de pagar a conta sozinhos. Começa na criação de um regime canalha de gratuidades, sem limite e sem controle, para atender a interesses eleitorais e populistas, terminando com uma concessão feita sob a sombra da imoralidade onde quem explora e lucra com a o futebol são seres que nunca fizeram parte dessa equação.
Com o tempo passamos a conhecer e discutir, cheios de propriedade, acerca de temas que antes estavam restritos aos livros de marketing e finanças. Ticket médio? Camarotes Premium ou Institucionais? Reserva de ingressos ou compartilhamento de lucros? Stewards ou Comissários? Quantos blogs lemos agora e que falam cada vez menos do que rola apenas dentro das quatro linhas? Vivemos uma nova era, fruto do exercício do poder de poucos e da incompetência de muitos. Apesar dos mais de cem anos de futebol, nossos clubes vivem afogados em dívidas as quais nunca fizeram questão de pagar, sem estádios próprios onde se possam tornar viáveis, geridos ainda como grupos de pelada do Aterro onde meia dúzia tenta organizar algo enquanto uns duzentos berram a sua berram a sua volta.
Não se trata de defender os preços hoje praticados. Muito pelo contrário. EU mesmo não poderei ir sempre. Mas se o torcedor hoje paga o ingresso mais caro, os clubes pagam a conta de irresponsabilidade do passado. Com o pires na mão pagando dívidas que não fizemos. Ficando nas mãos de quem tem o poder de decidir que nós abrimos mão ao nos colocar em desvantagem tal que não conseguimos nos defender ou mesmo ao povo.
Alguém acha que a "elitização" de que se tanto reclama é algo atual? Pense como era o cinema há vinte anos atrás! As salas de rua, famosas em toda parte da cidade sucumbiram ante a sanha das igrejas e das multisalas dos shoppings, com pípocas que custam bem mais do que qualquer carrocinha na rua. Lá, como no novo estádio, há muito, ter a carteirinha faz toda a diferença. Teatros e shows seguem a mesma lógica. O próprio Maracanã começou a ser vítima da "lipoaspiração social" anos atrás, com o fim da geral ou mesmo com a redução de sua capacidade, que só aumentou a sensação de escassez.
![]() |
| Arenas entregues à Empreiteiras e Anistias aos Clubes: Como o Governo rasga o NOSSO dinheiro. |
Falando especificamente do Flamengo, acho que chegou um momento de grande desafio para clube e torcida. Depois de anos sendo pautado pelo que dá resultado imediato, sem se importar com os custos, resolveu-se planejar. Não consigo pensar o Flamengo diferente do que penso minha vida pessoal. Acho que todos deveríamos ser assim. Como comprar um carro e ficar sem ter o que comer? Como comprar roupa de marca e ficar no escuro por falta de pagamento? Como gastar com viagens enquanto há um grande vazamento que drena, literalmente, parte de seu orçamento? Como ter empregados sem poder honrar os compromissos?
Tão abjeto quanto o aumento dos ingressos é o famoso PROFORTE, ou a MP da anistia dos clubes que promete pintar a qualquer momento. Depois de décadas de irresponsabilidade, o clubes serão perdoados em Bilhões de Reais de impostos. Esmola com o dinheiro do meu, do seu, do nosso dinheiro.
Acredito que só andar mais perto da justiça quando conseguirmos nos colocar no papel de cada personagem da história que ilustra esse texto. Na torcida que se sente prejudicada e colocada para fora. No clube que, como todo superendividado em recuperação, tem que cortar nã
o apenas o supérfluo mas um pouco do essencial.
Esse duelo não pode ser um duelo. Tem que ser um casamento. Se até hoje, clube e torcida se mantiveram unidos, apesar dos pesares, por que agora seria diferente? Que seja a crise dos 117 anos! Mas no fim, todos tem que se entender e perceber para ver a luz no fim do túnel vão ter que aprender a cavar juntos. O consumidor geralmente não entende o lado do comerciante. Nem a criança birrenta entende a do seu pai que, naquele mês, não pode comprar o brinquedo da moda. A gente pode entende. Eu acho. Eu espero. Eu acredito.
sexta-feira, 29 de março de 2013
Feliz Ano Novo Flamengo!
Obviamente não estou maluco. Janeiro já passou há tempo. Nem me refiro aos calendários que fogem a lógica gregoriana como aos adotados por Judeus, Chineses, etc. O ano começa de fato para nós com o desfecho do último ato do conturbado momento que o Flamengo vive a cada 3 anos: o ano eleitoral.
No espaço de um ano o clube, tal como uma cobra, ou um pássaro na muda, sofre modificação em todos seus órgãos sociais. A preparação para os pleitos em si começam bem antes da efetiva data da votação, influindo diretamente na dinâmica da tomada de decisão de cada um dos que tem poder. Começando pela épica eleição para presidente (tratado pelo estatuto como eleição para o Conselho Diretor), seguida da composição do novo Conselho Deliberativo (com ingresso dos conselheiros transitórios), passa-se a eleição do Conselho de Administração. Com a virada do ano, o Deliberativo ainda recebe novos membros natos. Ufa! Mas não acabou.
Terça passada tivemos o último ato dessa maratona democrática: a eleição do Conselho Fiscal (COFI). Duas chapas se apresentaram para a disputa. A Branca foi impugnada por não apresentar certidões em tempo, e por algumas "anotações" naquelas que foram apresentadas. Contudo, em sessão de quórum baixo, onde a só os impugnados tiveram voz, e a comissão jurídica limitou-se a apresentar um simulacro de parecer, a chapa teve fraqueada sua participação no pleito. Como profetas do passado, podemos dizer que foi bom, pois permitiu que se fizesse o controle político da eleição. Eu não acho. A sensação que ficou foi que as informações sonegadas em sessão eram vitais e foram deliberadamente ignoradas.
![]() |
| O 1º desafio do Futuro COFI é checar os problemas do Passado |
Antes de mais nada, deixo claro que fiz campanha para a chapa azul, votei na chapa azul e lamentei que não tenha vencido por mais de 80%, renovando todo o COFI. O argumento político de que, na medida em que tem a função de fiscalizar, a outra chapa deveria ter vencido, é até válido, se desconsiderarmos que o grupo derrotado estava no comando da situação até então e fez alarde quando não deveria e se calou quando sua presença se fazia necessária. Embora não seja, nem de longe, culpa exclusiva da antiga formação do COFI, nada justifica que as contas de 2011 tenham sido votadas apenas em 2013, e mesmo assim com um relatório inconclusivo que acabou por ser rejeitado. O que se espera agora é que o COFI se limite a atuação nos limites do previsto no estatuto, com menos ingerências indevidas e sem alimentar a parte da imprensa se gosta de ver o circo pegar fogo, mesmo que sem motivo.
Ainda na linha do ano novo, outra grande notícia da semana foi a divulgação, mesmo que sem pompa, nem circunstância, da obtenção das primeiras certidões negativas com efeito de negativa, referentes aos débitos fiscais e trabalhistas. Ao conseguir as que faltam, esta gestão, mesmo que a custo do encerramento dos esportes olímpicos de alto rendimento, e outros cortes severos, terá atingido uma das suas metas de campanha. Essa conquista só mostra que sempre foi possível o reequilíbrio das contas do clube, desde que aparecesse alguém disposto a arcar com todos os custos políticos decorrentes de suas decisões. Pois bem, se o clube puder ter acesso aos incentivos fiscais e projetos de incentivo ao esporte será possível ter o retorno do Flamengo ao topo do esporte.
![]() |
| Jogue junto com o Flamengo |
Na mesma terça-feira santa tivemos a divulgação do programa de sócio torcedor votado pelo CODE e relatado neste blog em posts anteriores. Confesso que não tenho acompanhado o twitter com a frequência de antes, mas já deu pra sacar que parte considerável da torcida achou que o Nação Rubro-Negra ficou aquém do necessário. Sim, ficou. Não sou do mundo do marketing e qualquer opinião minha não é mais que mero pitaco. Entendo a decepção geral se considerado a expectativa gerada pela torcida, em especial por tantas pessoas que se dedicam ao assunto, mesmo que empiricamente, estudando modelos adotados por outras equipes mundo afora.
Convém lembrar que cada clube tem sua especificidade, e colocar um projeto que se presta a alcançar potenciais 40 milhões de torcedores, não é uma tarefa nada simples. Li e ouvi muito sobre os planos de sócios de Benfica e Barcelona. Apenas como efeito de comparação, não custa lembrar que as populações de Portugal é de apenas 11 milhões de pessoas, e sim, perdemos para TODA a população da Espanha (46 milhões de pessoas), sendo que a maioria destes torce pro Real Madrid. E a entrevista coletiva foi clara, esse é o momento em que o Flamengo está pedindo ajuda ao seu torcedor, invertendo a lógica do "o que o meu time pode fazer por mim" para "o que eu posso fazer pelo meu time"? O que está esperando para se associar?
Mesmo assim, uma consulta ao site já mostra que em menos de 3 dias chegou-se a expressiva marca de 7.000 torcedores, ultrapassando rivais locais. Ainda está bem longe de outros números obtidos em solo nacional, como os 105.000 associados do Internacional, mas há de se pensar que o número de benefícios ainda é pequeno, e que os valores praticados pelo clube gaúcho é bem menor e mais voltado ao público do sul do Brasil, enquanto o Flamengo possui escala nacional, não seria intergalática? Acho que nosso papel é, mais uma vez, apoiar da forma que pudermos, acreditarmos nos resultados prometidos.
Pouco mudou no basquete e no futebol. Um continua se equilibrando na liderança da NBB, torcendo para a chegada aos playoffs antes que o time "vire o fio", o outro vai mostrando que muito tem a ser mexido no time da Gávea. E talvez não fosse o técnico. E notória a inépcia técnica de meia dúzia de 10 jogadores. Alguns não mereciam vestir o Manto Sagrado para ir no shopping ou mesmo para ir na esquina comprar pão, e continuam como titulares. Paciência. Rogo para que em um futuro não muito distante não precisemos estar aturando estes pernas de pau no nosso quadro.
Pois é, parece que os bons ventos começam a soprar a favor na Gávea. Vamos ver se conseguimos ter competência para saber navegar e aproveitar o máximo este momento. Nos tornarmos fortes vai se tornando cada vez mais essencial. Com Engenhão fechado por tempo indeterminado, e com um estranho edital do Maracanã em andamento, os clubes cariocas vão sendo jogados no colo do futuro concessionário. Não creio em teorias da conspiração, mas penso que se não estivermos seguros, não haverá como impedir que se aproveitem do clube e de sua torcida.
Finalizando, embora seja fora do objeto deste blog, queria divulgar mais uma campanha que tomará lugar no Parque dos Patins, na Lagoa em 23/04: o Trem Vermelho Carioca. Trata-se de uma lindíssima iniciativa dos motociclistas do Rio de Janeiro, buscando fazer um grande comboio para promover uma doação de sangue coletiva em pleno feriado (quando se mais precisa de estoques de sangue). Para aqueles que não forem viajar e não tiverem medo de serem solidários, fica a dica.
quinta-feira, 7 de março de 2013
O Peso das Palavras Sem Peso
Depois de um sábado mágico, com a celebração antecipada do "Natal Rubro-Negro", e a justa devolução do Galinho Zico ao Panteão dos heróis imortalizados nos corredores da Gávea, veio a ressaca da Ceia, com a derrota para os hipossuficientes de títulos de General Severiano. E como se não fosse suficiente o mal estar, cai como uma bomba o desmanche da equipe de ponta de mais dois esportes olímpicos: Judô e a Ginástica Artística.
![]() |
| Judô Feminino Hoje é Campeão Olímpico |
Quanto ao jogo de domingo, pouco há a dizer. Repousar as causas do infortúnio nas mãos do larápio que trajava amarelo é uma atitude natural dos realizadores do mosaico azul mais perfeito do mundo. O fato é que o time jogou muito abaixo do que vinha apresentando no campeonato (obviamente me referindo às partidas contra os pseudo-grandes do estado). A postura lenta, desligada foi a tônica do primeiro tempo, como o gol relâmpago do Botafogo com menos de uma minuto simplesmente não houvesse existido. A etapa complementar reservou mais emoções, algumas boas chances de gol para ambos os lados, mágicas defesas dos goleiros e o tiro de misericórdia quando já não havia mais chances, se aproveitando do fato de que Felipe tinha subido à área para tentar salvar a Pátria. O fato é: merecemos ficar de fora mais uma vez.
Mas não existe azia que não piore com uma promoção de salgado e refresco. E é esta sensação de perda e de vazio que toma conta de mim com a notícia sobre a implosão de mais uma parte dos esportes olímpicos. Não é difícil para cada um dos leitores deste meu blog verificar nos poucos post publicados ver que aplaudi o fim da equipe competitiva da natação, assim como diversas outras medidas de austeridade que se fazem não apenas oportunas, mas indispensáveis para que o Flamengo possa trilhar o caminho de independência esportiva e financeira prometida pela atual gestão, para qual fiz campanha e ainda faço questão de apoiar.
A eleição do ano passado mostrou justamente que não se quer no comando rubro-negro pessoas com pensamento pequeno e restrito aos muros da Gávea. Mas do mesmo modo que o parquinho não é o fim em si, também não é nenhuma das outras modalidades, nem mesmo o futebol, não obstante sua posição de carro-chefe e trem pagador no atual quadro.
Quando se fala em responsabilidade e compromisso, hoje palavras de ordem no clube, fala-se em cumprir o que se promete, conquistando a confiança da pessoa com que se negocia. Não é menos verdade que a atividade de planejar em qualquer setor demanda não apenas trabalho, mas a sensibilidade de mudar o curso quando algo não dá certo ou não corresponde as expectativas, e é com base nisso, no "tentamos manter, mas não deu" que colocamos campeões mundiais no olho da rua.
![]() |
| Diego mostra costume com o velho modo se se gerir o clube |
Nem vou comentar as alegações de retaliação à Patrícia Amorim, não é o perfil desta gestão agir desta forma. Tenho a absoluta certeza que a decisão que ora combato foi tomada após reflexão técnica e atuarial e o apoio dos profissionais e atletas deste esportes à ex-presidente era mais que natural dado que a origem desta foi nos esportes amadores e que, mesmo as custas do combalido cofre do clube, tinham porto seguro em sua preparação a cada ciclo olímpico.
Contudo, acho oportuna a citação de entrevista do VP Alexandre Póvoa dada no momento em que optou-se por não renovar com o Medalha de Ouro, César Cielo e dos demais nadadores de alto rendimento:
- Hoje, infelizmente, nenhum esporte é autossustentável. Então, vamos dar um prazo de um ano para que eles tentem se tornar autossustentáveis. Mas o terceiro pré-requisito, a natação não atende hoje. E também é fato que o Flamengo não tem uma piscina para uma competição de alto nível, porque não houve reforma nos últimos anos. Por conta dessa piscina deteriorada e pela situação difícil do Flamengo, se fez a opção de trazer atletas que honraram as cores do Flamengo, mas não treinavam aqui. A nossa prioridade hoje é reconstruir o parque aquático e resolvemos priorizar o investimento na base, para quem sabe em 2014 trazer esses atletas de volta com o clube mais estruturado - afirmou o dirigente.
E o tempo mostrou que a escolha foi acertada, na medida em que a piscina olímpica (em que os astros não treinavam) foi interditada por sérios problemas estruturais, contando com vazamentos que elevavam a despesa de água a mais de R$ 500.000,00! Os salários astronômicos dos piscineiros vindos de fora, e no auge da fama, não compensavam o pouquíssimo retorno, seja em exposição da marca, seja como influência e incentivo para os mais jovens que os tinham por perto (razão também citada à época), além de compromisso com a excelência, entrando sempre para ganhar no que competir.
![]() |
| Dani: Decacampeã Brasileira |
O judô, e principalmente a Ginástica Artística, pelo menos neste aspecto eram diferentes. Mesmo com vários atletas de ponta formados e crescidos dentro do clube, absolutamente identificados com sócios e torcedores, estas modalidades viram seu "um ano de prazo" serem reduzidos para pouco mais de dois meses. Eu me pergunto qual é o recado que está sendo dado a cada um das crianças da base - e que no caso da ginástica já reclamavam de abandono - neste momento. Como estimular seu filho a treinar, competir e vencer pelo clube que pode os dispensar quando deixar de ser um bom negócio?
Digna de aplauso, em parte, é a colocação sobre a falta de apoio do COB e das Confederações aos clubes, vertendo seus recursos apenas para a manutenção das suas próprias estruturas. O papel dos clubes formadores é totalmente negligenciado por quem deveria fomentar o esporte. Enquanto as agremiações suportam os custos do dia-a-dia, ficam de fora do momento de glória dos mesmos atletas que ao subir ao pódio não podem ostentar outras cores que não a da seleção e da confederação. O esporte brasileiro tem que ser todo repensado, sem dúvida, e a direção pensa estar dando sua cota-parte ao repensar o Flamengo.
Mas além de estar quebrando o trato de dar tempo ao tempo, anunciado na imprensa, o Flamengo se equipara às mesmas Confederações e ao próprio COB que assistem caladas - isso quando não são agentes diretamente responsáveis - pelos sucessivos ataques ao esporte amador brasileiro que está no mais importante dos ciclos olímpicos: aquele que será coroado com a realização dos jogos da Rio 2016. No momento em quando deveríamos estar dando suporte à preparação dos atletas de todas as modalidades, testemunhamos a implosão do Célio de Barros e do Julio Delamare, o desmonte do Velódromo, deixando desamparados ao mesmo tempo duas modalidades (ginástica e ciclismo) e sua montagem em Goiás onde não há ciclismo de pista.
![]() |
| Érika Miranda |
Não duvido da capacidade do plano traçado render saborosos frutos no futuro com a revelação de novos talentos em um clube organizado e com as contas saneadas que saiba atrair investimentos para suas diversas categorias. Aliás, nem mesmo defendo a manutenção destas equipes a qualquer custo, na esteira da responsabilidade de marca as gestões rubro-negras desde sempre. Questiono é o descumprimento com o que tinha sido antes colocado, além do momento mais que inoportuno para esta decisão. As mesmas palmas que bati para a manutenção do basquete, impedindo a descontinuidade de patrocínio para o time que encanta a Nação, eu gostaria de bater para o uso inteligente da imagem destes campeões que recebem um "até mais ver" depois de tantos anos de devoção ao meu, ao seu e ao nosso Flamengo.
Agora é acompanhar para onde vão nossos campeões. E torcer para que eles consigam galgar os passos necessários para chegarem (ou retornarem) ao mesmo sucesso que queremos e se planeja para o nosso clube.
Marcadores:
Alexandre Póvoa,
Daniele Hyólito,
Diego Hypólito,
Esportes Olímpicos,
Flamengo,
Gávea,
Gestão,
Ginástica Artística,
Judô,
RIO 2016,
Rosicleia Campos
domingo, 3 de março de 2013
Rapidinho, Um Pouco de Tudo
Na última vez que escrevi, lá no início do ano, a ordem do dia era acalmar a ânsia de notícias vindas da Gávea. Uma nova direção assumiu com discursos absolutamente pé no chão, apesar da insistência da torcida em olhar para os executivos eleitos como uma horda de messias, capazes de milagres nunca antes vistos no mundo do futebol.
Se em termos de marketing e divulgação deste blog o espaço entre as postagens não ajuda em nada, ao menos me poupou de falar de muita bobagem que andou sendo sendo difundida por aí. Dar o tempo ao tempo foi importante para vermos que muitos boatos que rolaram desde o processo eleitoral foram desmascarados, muito embora outros tão ruins quanto venham tomando seu lugar.
Assim, em uma tentativa safada de falar do máximo de assuntos ocorridos nestes dias, perdendo o mínimo de tempo possível, vamos a umas curtinhas com o que acho que vale ser comentado:
TIME DE FUTEBOL
![]() |
| Hernane e Ibson: Renascidos das Cinzas |
Sim, demorei tanto a escrever que nem pude celebrar a invencibilidade recorde na NBB. Mas ainda assim vamos bem. Estamos disparados na liderança do Nacional (com vários atletas no jogo das estrelas) e classificados para fase seguinte da Liga Sul-Americana. O time vem superando a ausência do Marcelinho e mostrando maturidade para o momento decisivo. Não custa lembrar que a NBB esse ano será decidida em jogo único, sendo mais que oportuno tirar a rapaziada da zona de conforto.
ESPORTES OLÍMPICOS
A melhor boa notícia diz respeito ao eventual erguimento da Arena McDonalds na Gávea. E só. Não conhecendo o que vem sendo planejado, só podemos ver o que acontece. Depois da acertada decisão de desfazer a equipe de ponta da natação, vemos a equipe da Ginástica Artística sem casa, desde o incêndio do ginásio da modalidade, além de alguns resultados favoráveis no Judô.
DIREÇÃO DO FLAMENGO
Milagres e magias ficara por conta do imaginário da torcida. A promessa era planejamento e trabalho. E é exatamente o que vemos hoje no clube. Estamos caminhando para uma total adimplência dos salários, incluindo direitos de imagem, além de uma responsabilidade fiscal nunca vista antes. Aquisições, dispensas e renovações feitas nas salas de reunião, ao invés das páginas de diários esportivos.
No Campo dos negócios, o clube fechou contratos de patrocínio com a LOTERJ, para o basquete, e com a PEUGEOT, para o futebol. A montadora fica na parte da frente da camisa até 1º de maio, quando passará a ocupar as costas da camisa da nova fornecedora de material esportivo: ADIDAS. Se teremos o comentado sistema de rodízio de patrocínios, ou se teremos um master nos moldes antigos, isso só o tempo dirá. Ainda, na última terça, o Conselho Deliberativo aprovou a repactuação do contrato com a Golden Goal, para efetivação das práticas de relacionamento com o torcedor. A nova minuta possui termos diametralmente opostos ao contrato de 2008, vigente até hoje, passando a ser melhor para Flamengo.
Muito importante: É vital a participação de todos no DIA NACIONAL DO CADASTRO RUBRO-NEGRO. Vá lá e faça seu cadastro. É simples e rápido. Com ele teremos como obter mais parcerias e bons negócios. Cada torcedor sabe quem é o Presidente do clube, seus diretores e seus jogadores. Chegou a hora de o clube conhecer quem é sua torcida.
Por outro lado, é ingênuo pensar que todas essas mudanças sejam conduzidas em águas absolutamente calmas. Em uma prática bem ao estilo da old school vazou na imprensa e-mail interno em que o então Vice-Presidente José Carlos Dias atacava um dos empregados do clube, e na ponta do processo de modernização do Fla-Gávea, que era tido como o carro-chefe da administração anterior. Pois bem, saiu quem não estava de acordo com o modo de trabalhar prometido na eleição e adotado pela presidência. Introduzir o novo gera atritos e encontra resistências, ainda mais em um ambiente historicamente permissivo a ponto de manter uma piscina com vazamento que, além de por em risco a saúde dos associados, representava um custo absurdo de cerca de meio milhão de reais (!!!) de fornecimento de água.
![]() |
| Imagina Com o Novo Manto... |
Muito importante: É vital a participação de todos no DIA NACIONAL DO CADASTRO RUBRO-NEGRO. Vá lá e faça seu cadastro. É simples e rápido. Com ele teremos como obter mais parcerias e bons negócios. Cada torcedor sabe quem é o Presidente do clube, seus diretores e seus jogadores. Chegou a hora de o clube conhecer quem é sua torcida.
Por outro lado, é ingênuo pensar que todas essas mudanças sejam conduzidas em águas absolutamente calmas. Em uma prática bem ao estilo da old school vazou na imprensa e-mail interno em que o então Vice-Presidente José Carlos Dias atacava um dos empregados do clube, e na ponta do processo de modernização do Fla-Gávea, que era tido como o carro-chefe da administração anterior. Pois bem, saiu quem não estava de acordo com o modo de trabalhar prometido na eleição e adotado pela presidência. Introduzir o novo gera atritos e encontra resistências, ainda mais em um ambiente historicamente permissivo a ponto de manter uma piscina com vazamento que, além de por em risco a saúde dos associados, representava um custo absurdo de cerca de meio milhão de reais (!!!) de fornecimento de água.
POLÍTICA NO FLAMENGO
Passada a eleição presidencial e do Conselho Deliberativo (CODE), as atenções se voltam agora para o Conselho Fiscal (COFI), hoje presidido pela controversa figura de seu Presidente Leonardo Ribeiro, vulgo Capitão Léo, que será renovado no fim deste mês de março. Aliás, essa mudança vem em ótima hora, diante da necessidade de um conselho que agregue a necessidade de fiscalizar, a capacidade para o desempenho da função e a disposição de não transformar um órgão que deveria ser eminentemente técnico em uma arena política. Duas chapas estão inscritas para o pleito, sendo a @ChapaFlaSempre a minha escolhida pelos mesmos motivos que pautaram meu voto ano passado: capacidade técnica reconhecida pelos seus currículos.
E já que o assunto são contas, não custa comentar sobre a reprovação das contas de 2011 pelo Conselho Deliberativo. Antes que você pare para me criticar, eu ressalto, as contas são de 2011 mesmo. É bem verdade que o caos administrativo da gestão antecessora contribuiu decisivamente para a demora na conclusão dos trabalhos, com ofícios não respondidos e toneladas de documentos desordenados entregues após sucessivos pedidos.
O relatório do COFI seguiu o padrão de sempre, empurrando o problema adiante. Só que desta vez, o CODE pensou diferente, acatando o relatório de sua Comissão de Finanças, reprovando o relatório, determinando formação de equipe de auditoria e outra de inquérito para trabalhar em conjunto sobre as contas apresentadas, corrigindo falhas e apurando responsabilidades.
E já que o assunto são contas, não custa comentar sobre a reprovação das contas de 2011 pelo Conselho Deliberativo. Antes que você pare para me criticar, eu ressalto, as contas são de 2011 mesmo. É bem verdade que o caos administrativo da gestão antecessora contribuiu decisivamente para a demora na conclusão dos trabalhos, com ofícios não respondidos e toneladas de documentos desordenados entregues após sucessivos pedidos.
O relatório do COFI seguiu o padrão de sempre, empurrando o problema adiante. Só que desta vez, o CODE pensou diferente, acatando o relatório de sua Comissão de Finanças, reprovando o relatório, determinando formação de equipe de auditoria e outra de inquérito para trabalhar em conjunto sobre as contas apresentadas, corrigindo falhas e apurando responsabilidades.
NOVO UNIFORME
Falando em novo uniforme: guardem suas merrecas. Os croquis dos três uniformes a serem usados este ano foram mostrados ao Conselho Deliberativo. Sem entrar em detalhes que já não tenham sido espalhados por aí, digo-lhes a minha opinião: O uniforme número 1, tem linhas diferentes mas nada que cause impacto. Pode até ser que depois de apresentada a peça física, eu mude minha opinião, mas só será lembrada pelo momento histórico e mais nada. O uniforme reserva já nos traz novidades, lembra um pouco o estilo Chelsea de camisas, já diferente dos que estamos acostumados a usar. Mas a joia da coroa é a camisa 3, que ao menos no telão do Salão Nobre da Gávea, me pareceu ser um dos Mantos Sagrados mais lindos que já vi.
ZICO É O CARA
![]() |
| Zico, Eterno Rei |
Não poderia terminar o texto sem falar em um dos poucos caras que merecem serem chamados de ídolos pela torcida. Em um mundo midiático de hoje que bastam dois jogos para um atleta se achar a última jujuba vermelha do pacote, ZICO, com zilhões de gols e títulos nas costas mostra absurda humildade, atendendo a fãs - crianças, jovens ou adultos - sem contar a horda de repórteres. Alguém que tendo o sonho de vestir a camisa 10 do Flamengo realizado logo cedo, ousou ir mais longe, rumo à perfeição. Se não bastavam as conquistas domésticas que satisfazem nossos co-irmãos, ele nos deu o Mundo junto com a inesquecível geração de 81. E o dia em que se deu conta que a Gávea e o Maracanã eram pequenos para ele ou mesmo os então 30 milhões de torcedores insuficientes, lá foi ele mudar a cultura de um país completamente diferente, criando um novo mercado, instigando novas paixões. Como os Beatles, ele transcende gerações e influencia quem só acompanhou sua carreira pelo You Tube.
O evento de ontem na Gávea foi lindo. Um conjunção perfeita entre mito e torcida. Um movimento que, mais uma vez, veio de fora para dentro. Parabéns a todos que conceberam e tocaram a frente este lindo projeto. Se graças a Zico somos o que somos, graças a vocês ele pode voltar de onde nunca deveria ter sido expelido como injustamente foi por aqueles que deveriam preservar o que o clube tem de mais sagrado.
Parabéns à Nação Rubro-Negra por ter reparado o malfeito antes que fosse tarde demais. O Flamengo já era grande antes do Galo chegar, Já tinha seus dois tricampeonatos nas costas. Já tinha torcida e história pra contar. Se ninguém é maior que o Flamengo, sem dúvida ele fez o Flamengo se tornar maior.
Não só isso: Obrigado, Zico por ter tornado o Flamengo mais Flamengo.
Marcadores:
60 Anos,
Capitão Léo,
Conselho Deliberativo,
Conselho Fiscal,
Flamengo,
Futebol,
Gávea,
Gestão,
Maracanã,
Zico
sexta-feira, 11 de janeiro de 2013
A Não-Notícia é a Melhor Notícia
Janeiro, início de temporada, clube recém-saído de um processo eleitoral: crise de abstinência na Massa Rubro-Negra. Temporada propícia para toda sorte de especulação. Tem gente que nem lê jornal nessa época. Mas esse ano era diferente, com a expectativa inversamente proporcional ao saldo da conta bancária do Mais Querido. Pois é. Mas não é isso que os ventos que vem da Gávea sopram.
![]() |
| É hora de arrumar a Casa! |
Uma semana útil de trabalho não é tempo suficiente para avaliar processo algum de reorganização de um clube ou empresa, ainda mais considerando uma estrutura tão complexa e infestada de vaidades como é a do Flamengo. Mas admira-se a postura daqueles que estão à frente do processo. E ainda, como estão sensíveis aos efeitos de suas ações, promovendo mudanças de curso durante a caminhada, sem esperar a colisão com o iceberg à frente.
Ao contrário que pensa que pensa e corneta parte dos desesperados das redes sociais, a atual direção está entregando exatamente o produto prometido. Para esperar nomes revolucionários, contratados a peso de ouro, sem planejamento algum sobre como pagar (pensar nisso pra que?) era melhor ter apoiado alguma das candidaturas forjadas no velho modelo. Ao contrário, a pleito consagrou o grupo que prometeu gestão e responsabilidade.
Quem já teve pessoas sob sua liderança, sabe que reformulações de políticas e modos de agir são lindas no campo teórico, e parecem ainda mais fantásticas quando se apresentam resultados obtidos em experiências análogas. Mas sabe também que para chegar até lá são necessárias medidas fortes e nem um pouco populares. Não podemos achar que obteremos resultados diferentes com as práticas de sempre.
Todos miram o Barcelona de hoje com Xavi, Iniesta, Messi e cia, por exemplo. Muitos ouviram falar dos relatos do livro "A Bola Não Entra Por Acaso". Mas ninguém quer falar do período de vacas magras, onde esse time de hoje começou. Muitos desvalorizam os últimos títulos de Michael Schumacher, por ter um carro muito acima dos outros, mas não se dão conta de que ele foi contratado pela Ferrari em 1996 justamente para desenvolver a lata velha que a equipe tinha e transformá-la no carro dos sonhos. No pain, no gain, fellows!
E nesse processo, se no início víamos o Wallim falando um pouco mais do que a prudência permitia, e com promessas no old school style, hoje já temos o Pelaipe a frente do processo, falando o estritamente necessário. O segredo de qualquer sigilo é a limitação de pessoas com acesso àquela informação. E pensando na quantidade de pessoas envolvidas em uma negociação de transferência, é admiravelmente notável que os nomes e valores tenham se mantido ocultos por tanto tempo.
Em tempo: também admirável o peito de nadar contra corrente, desafiando os mercadores da bola e se recusando - abertamente - a entrar em leilões. Quem já foi à feira-livre sabe bem que entre as primeiras horas da manhã e a xepa de fim de tarde dá pra comprar coisa boa, sem ter que colocar as cuecas no prego.
![]() |
| Será que o dono vem pegar o paletó? |
Está claro que para a Diretoria, não basta "arrumar a casa", mas colocá-la para funcionar. O anúncio dos reforços feito hoje, no final da semana e com a pré-temporada praticamente na sua metade, veio coroando uma série de notícias que mostram que a ordem do dia é trabalhar e dar meios para que seus funcionários trabalhem pelo time. Aliás, o desequilíbrio entre o pagar e receber, foi a principal razão para que os rapazes bronzeados das piscinas ficaram sem ter seus contratos renovados.
Muito longe dos boatos espalhados no período eleitoral, não se precisou chegar ao final da auditoria externa para ver que as mazelas do Flamengo não se restringem à caótica organização contábil do clube, detectando-se - aparentemente - um número de funcionários muito maior ao necessário, ou mesmo ao efetivamente visto trabalhando. Quem frequenta a Gávea saber que, em tempo algum, se vê cerca de 700 sujeitos trabalhando. E tenham certeza que, se 150, 250 saírem, os que ficarem, o serão por mérito.
![]() |
| Amanhã é dia da Mulambada pagar as contas. |
O pagamento dos salários é outro ponto. Tal como o serviço do dia-a-dia de nossas casas, o salário em dia só vira notícia quando algo está errado (ou quando você quer parecer que tudo esteja certo). O ridículo pacto feito por gestões anteriores empurrando o vencimento do salário para o dia 25 do mês seguinte (e mesmo assim raramente honrado), faz com que o dinheiro caindo em caixa fosse notícia nova a cada 30, 40, 50, 60... dias. E essa exposição constante na mídia queima o filme do clube e expõe o atleta, que acaba ficando com a injusta pecha de mercenário. Para um clube que começou a semana engessado por penhoras e mais penhoras o anúncio da quitação de várias parcelas salariais tanto no futebol como no basquete, mostra que o clube está a fim de fazer a sua parte e cobrar na mesma medida.
Sonho com o dia que o pagamento de salários volte a ser uma não-notícia na Gávea, e nossa preocupação seja apenas olhar a metade superior das tabelas dos campeonatos.
Marcadores:
Bahia,
César Cielo,
Eduardo Bandeira de Melo,
Elias,
Flamengo,
Gabriel,
Gestão,
Natação,
Paulo Pelaipe,
Wallim Vasconcelos
quarta-feira, 2 de janeiro de 2013
Silêncio Eloquente
Daqui a algumas horas o Presidente Eduardo Bandeira de Melo, bem como toda a nova diretoria do Flamengo finalmente passa a tomar conta do clube. Desde a eleição do dia 03/12, o clube passou pela transição, encerrada no último dia 27, com a posse oficial, e por um "limbo" até o dia de hoje.
![]() |
| Dívidas, jogadores e uma torcida para domar... |
E uns se perguntam, onde está a transparência prometida pela nova gestão? Como pode chegarmos ao ano novo sem um reforço para um time que flertou mais uma vez com a zona da degola? É essa a gestão profissional do Fla? Calma, gente. Devagar com o andor. Como disse lá no primeiro parágrafo, hoje, e somente hoje, a nova diretoria senta em suas mesas com o poder e a caneta na mão. Mas tenha a certeza de que muito já deve ter sido feito, embora não levado a público.
Convém traçarmos uma linha que divide o sigilo, vital para a realização (bem sucedida) de negócios e programas, e o obscurantismo que marcou a gestão passada comandada pela Presidente Patrícia Amorim. O ciclo que se encerrou na Gávea em 2012 deixou muitas perguntas a serem respondidas no que se refere ao desacerto contábil e fiscal, contratos firmados e nunca levados às instâncias competentes, e outros itens que só chegarão ao conhecimento de quem de direito, após a auditoria prometida pela nova gestão abrir a caixa de Pandora (ou seria Caixa da Patrícia?).
Por outro lado, a restrição de informação no curso da negociação a um número limitado de pessoas preserva o sigilo, e no mais das vezes, a viabilidade da própria celebração do contrato (mesmo que não seja garantia para o mesmo). Enquanto antes as informações eram distribuídas à imprensa - formal ou informalmente - por Vice-Presidentes de outras pastas que não a diretamente interessada, ou por conselheiros, ou por seja-lá-quem-for, hoje se vê que a chave do cofre e a ponta da caneta estão nas mãos de poucos. E é da boca destes poucos cabe prestar a informação clara, exata e oficial.
E neste vácuo de informações, se vê uma deflagração de notinhas de jornal, ou mesmo nos programas de rádio, dando voz ao "amigo do jogador", a "uma pessoa próxima da diretoria", etc, sem entregar ao leitor ou ouvinte uma informação mais precisa. Ok, o uso de fontes e o segredo quanto a sua identidade é postulado básico do jornalismo, e além do mais é mesmo papel do jornalista perseguir o furo de reportagem. Mas cuidado, tem muita gente chutando por aí.
A bandeira (sem trocadilho) deste grupo é a implementação de uma nova gestão, com a formação e implementação de processos de decisão e execução de projetos. Começa com organogramas e planejamentos, mas é certo que apenas o enfrentamento dos problemas do dia-a-dia permite que se faça uma sintonia fina naquilo que até então estava apenas no campo teórico. É preciso ter a exata dimensão de onde está se pisando para se saber onde se corre, onde se anda e onde não se mexe. E isso demanda tempo.
![]() |
| Falar menos, trabalhar mais, planejar sempre |
Uma coisa está clara: esta administração só irá se manifestar quando tiver certeza quanto ao que está sendo anunciado. Não acho que veremos mais as bravatas do passado ou promessas de "lutas implacáveis" contra o que ou quem quer que seja. Vamos ver que revelações este dia 02 de janeiro nos reserva.
Imaginemos que o Flamengo é aquele cidadão assalariado, cheio de dívidas e com casa e mobília antigas e aparelhos domésticos defeituosos, mas que ganha um aumento na virada do ano. Este aumento em seu orçamento de nada adiantará se não for aplicado com sabedoria. Não é possível consertar tudo de uma vez, ou pagar todas as dívidas da mesma forma, sob pena de ver a crise pessoal deste indivíduo engolir este dinheiro. Mas com planejamento e paciência, talvez seja possível. Esse é o nosso caminho.
Pode até ser que nada seja dito hoje. Pode ser que o que seja dito não agrade a maioria. Mas o que importa é que um rumo está sendo traçado, e provavelmente bem diferente daquele antes adotado na Gávea. E mudanças de curso são assim mesmo: cautelosas e feitas dentro da reserva do possível.
Por mais perturbador que o silêncio possa nos parecer, no caso do Flamengo, lembro de uma frase de minha Bisavó: "Sem notícias, boas noticias". SRN
Marcadores:
2013,
Eduardo Bandeira de Melo,
Eleição,
Flamengo,
Futebol,
Gestão,
Patrícia Amorim,
Paulo Pelaipe,
Reforços,
Wallim Vasconcelos
Apresentação
Chega 2013, e chego com novidade. Finalmente resolvi escrever um blog sobre a minha maior paixão: o Clube de Regatas do Flamengo. E a força de vontade e inspiração vieram da trajetória feita no ano passado.
Após fazer muitos amigos no meio virtual, seja pelo twitter, seja pelo facebook, e impulsionado pela minha esposa, começamos a escrever um blog sobre a minha cidade e que chamá-lo de "Pra Falar do Rio", dedicado a compartilharmos as nossas impressões sobre o Rio de Janeiro, baseados em nossas experiências.
Mas o ano de 2013 não foi intenso apenas pela construção do meu humilde blog. Aqueles que me conhecem sabem bem da paixão rubro-negra que me move e torna minha vida com mais sentido. Sabemos que o Flamengo recentemente passou por importante processo político que culminou com a eleição da chapa azul, liderada por Eduardo Bandeira de Melo como Presidente. E aí tudo começa.
Deste fato surgiu a vontade de se criar um outro espaço, com linha de pensamento parecida com o blog original, mas dedicado ao Mais Querido. Esta eleição no Flamengo me foi muito especial, na medida em que realizei um sonho de infância: votar para Presidente do meu time de coração.
E motivado por toda a campanha a qual adorei participar (e lamento não ter podido ter feito mais), pela expectativa justamente criada pelo grupo vencedor, que resolvi dividir meus pensamentos, desabafos e angústias. Antes de mais nada, é oportuno dizer que apesar de ter apoiado a Chapa Azul, este blog se compromete com a isenção e com a procura do que entende o melhor pelo clube.
Espero estar a altura deste desafio, dando uma singela contribuição ao debate já tão bem conduzido por cada um dos blogs elencados aqui neste espaço à direita, os quais recomendo a leitura.
Desde já agradeço a audiência neste blog (é assim que se fala?) e estou aberto a todo tipo de sugestão ou reclamação. Espero encontrá-los sempre por aqui. SRN!!
Deste fato surgiu a vontade de se criar um outro espaço, com linha de pensamento parecida com o blog original, mas dedicado ao Mais Querido. Esta eleição no Flamengo me foi muito especial, na medida em que realizei um sonho de infância: votar para Presidente do meu time de coração.
E motivado por toda a campanha a qual adorei participar (e lamento não ter podido ter feito mais), pela expectativa justamente criada pelo grupo vencedor, que resolvi dividir meus pensamentos, desabafos e angústias. Antes de mais nada, é oportuno dizer que apesar de ter apoiado a Chapa Azul, este blog se compromete com a isenção e com a procura do que entende o melhor pelo clube.
Espero estar a altura deste desafio, dando uma singela contribuição ao debate já tão bem conduzido por cada um dos blogs elencados aqui neste espaço à direita, os quais recomendo a leitura.
Desde já agradeço a audiência neste blog (é assim que se fala?) e estou aberto a todo tipo de sugestão ou reclamação. Espero encontrá-los sempre por aqui. SRN!!
Assinar:
Comentários (Atom)















